segunda-feira, 16 de julho de 2018

A dura vida dos ateus em um Brasil cada vez mais evangélico


Dia 21 de Janeiro é o dia Nacional contra a Intolerância Regiliosa. Achei por bem postar este texto tendo em vista que as eleições se aproximam e corremos sérios risco de ser instaurada com maior intensidade caso um dos candidatos seja eleito.

A parábola do taxista e a intolerância.
Reflexão a partir de uma conversa no trânsito de São Paulo. A expansão da fé evangélica está mudando “o homem cordial”?

Em 14/11/2011 li um texto de ELIANE BRUM, Jornalista, escritora e documentarista. Como o texto me interessou, o guardei para um dia postar em meu Blog, por uma ocasião especial de intolerância religiosa.
O diálogo aconteceu entre uma jornalista e um taxista na última sexta-feira. Ela entrou no táxi do ponto do Shopping Villa Lobos, em São Paulo, por volta das 19h30. Como estava escuro demais para ler o jornal, como ela sempre faz, puxou conversa com o motorista de táxi, como ela nunca faz. Falaram do trânsito (inevitável em São Paulo) que, naquela sexta-feira chuvosa e às vésperas de um feriadão, contra todos os prognósticos, estava bom. Depois, outro taxista emparelhou o carro na Pedroso de Moraes para pedir um “Bom Ar” emprestado ao colega, porque tinha carregado um passageiro “com cheiro de jaula”. Continuaram, e ela comentou que trabalharia no feriado. Ele perguntou o que ela fazia. “Sou jornalista”, ela disse. E ele: “Eu quero muito melhorar o meu português. Estudei, mas escrevo tudo errado”. Ele era jovem, menos de 30 anos. “O melhor jeito de melhorar o português é lendo”, ela sugeriu. “Eu estou lendo mais agora, já li quatro livros neste ano. Para quem não lia nada...”, ele
contou. “O importante é ler o que você gosta”, ela estimulou. “O que eu quero agora é ler a Bíblia”. Foi neste ponto que o diálogo conquistou o direito a seguir com travessões.
- Você é evangélico? – ela perguntou.
- Sou! – ele respondeu, animado.
- De que igreja?
- Tenho ido na Novidade de Vida. Mas já fui na Bola de Neve.
- Da Novidade de Vida eu nunca tinha ouvido falar, mas já li matérias sobre a Bola de Neve. É bacana a Novidade de Vida?
- Tou gostando muito. A Bola de Neve também é bem legal. De vez em quando eu vou lá.
- Legal.
- De que religião você é?
- Eu não tenho religião. Sou ateia.
- Deus me livre! Vai lá na Bola de Neve.
- Não, eu não sou religiosa. Sou ateia.
- Deus me livre!
- Engraçado isso. Eu respeito a sua escolha, mas você não respeita a minha.
- (riso nervoso).
- Eu sou uma pessoa decente, honesta, trato as pessoas com respeito, trabalho duro e tento fazer a minha parte para o mundo ser um lugar melhor. Por que eu seria pior por não ter uma fé?
- Por que as boas ações não salvam.
- Não?
- Só Jesus salva. Se você não aceitar Jesus, não será salva.
- Mas eu não quero ser salva.
- Deus me livre!
- Eu não acredito em salvação. Acredito em viver cada dia da melhor forma possível.
- Acho que você é espírita.
- Não, já disse a você. Sou ateia.
- É que Jesus não te pegou ainda. Mas ele vai pegar.
- Olha, sinceramente, acho difícil que Jesus vá me pegar. Mas sabe o que eu acho curioso? Que eu não queira tirar a sua fé, mas você queira tirar a minha não fé. Eu não acho que você seja pior do que eu por ser evangélico, mas você parece achar que é melhor do que eu porque é evangélico. Não era Jesus que pregava a tolerância?
- É, talvez seja melhor a gente mudar de assunto...
O taxista estava confuso. A passageira era ateia, mas parecia do bem. Era tranquila, doce e divertida. Mas ele fora doutrinado para acreditar que um ateu é uma espécie de Satanás. Como resolver esse impasse? (Talvez ele tenha lembrado, naquele momento, que o pastor avisara que o diabo assumia formas muito sedutoras para roubar a alma dos crentes. Mas, como não dá para ler pensamentos, só é possível afirmar que o taxista parecia viver um embate interno: ele não conseguia se convencer de que a mulher que agora falava sobre o cartão do banco que tinha perdido era a personificação do mal.)
Chegaram ao destino depois de mais algumas conversas corriqueiras. Ao se despedir, ela agradeceu a corrida e desejou a ele um bom fim de semana e uma boa noite. Ele retribuiu. E então, não conseguiu conter-se:
- Veja se aparece lá na igreja! – gritou, quando ela abria a porta.
- Veja se vira ateu! – ela retribuiu, bem humorada, antes de fechá-la.
Ainda deu tempo de ouvir uma risada nervosa.
A parábola do taxista me faz pensar em como a vida dos ateus poderá ser dura num Brasil cada vez mais evangélico – ou cada vez mais neopentecostal, já que é esta a característica das igrejas evangélicas que mais crescem. O catolicismo – no mundo contemporâneo, bem sublinhado – mantém uma relação de tolerância com o ateísmo.
Por várias razões. Entre elas, a de que é possível ser católico – e não praticante. O fato de você não frequentar a igreja nem pagar o dízimo não chama maior atenção no Brasil católico nem condena ninguém ao inferno. Outra razão importante é que o catolicismo está disseminado na cultura, entrelaçado a uma forma de ver o mundo que influencia inclusive os ateus. Ser ateu num país de maioria católica nunca ameaçou a convivência entre os vizinhos. Ou entre taxistas e passageiros.
Já com os evangélicos neopentecostais, caso das inúmeras igrejas que se multiplicam com nomes cada vez mais imaginativos pelas esquinas das grandes e das pequenas cidades, pelos sertões e pela floresta amazônica, o caso é diferente. E não faço aqui nenhum juízo de valor sobre a fé católica ou a dos neopentecostais. Cada um tem o direito de professar a fé que quiser – assim como a sua não fé. Meu interesse é tentar compreender como essa porção cada vez mais numerosa do país está mudando o modo de ver o mundo e o modo de se relacionar com a cultura. Está mudando a forma de ser brasileiro.
Por que os ateus são uma ameaça às novas denominações evangélicas? Porque as neopentecostais – e não falo aqui nenhuma novidade – são constituídas no modo capitalista. Regidas, portanto, pelas leis de mercado. Por isso, nessas novas igrejas, não há como ser um evangélico não praticante. É possível, como o taxista exemplifica muito bem, pular de uma para outra, como um consumidor diante de vitrines que tentam seduzi-lo a entrar na loja pelo brilho de suas ofertas. Essa dificuldade de “fidelizar um fiel”, ao gerir a igreja como um modelo de negócio, obriga as neopentecostais a uma disputa de mercado cada vez mais agressiva e também a buscar fatias ainda inexploradas. É preciso que os fiéis estejam dentro das igrejas – e elas estão sempre de portas abertas – para consumir um dos muitos produtos milagrosos ou para serem consumidos por doações em dinheiro ou em espécie. O templo é um shopping da fé, com as vantagens e as desvantagens que isso implica.
É também por essa razão que a Igreja Católica, que em períodos de sua longa história atraiu fiéis com ossos de santos e passes para o céu, vive hoje o dilema de ser ameaçada pela vulgaridade das relações capitalistas numa fé de mercado. Dilema que procura resolver de uma maneira bastante inteligente, ao manter a salvo a tradição que tem lhe garantido poder e influência há dois mil anos, mas ao mesmo tempo estimular sua versão de mercado, encarnada pelos carismáticos. Como uma espécie de vanguarda, que contém o avanço das tropas “inimigas” lá na frente sem comprometer a integridade do exército que se mantém mais atrás, padres pop star como Marcelo Rossi e movimentos como a Canção Nova têm sido estratégicos para reduzir a sangria de fiéis para as neopentecostais. Não fosse esse tipo de abordagem mais agressiva e possivelmente já existiria uma porção ainda maior de evangélicos no país.
Tudo indica que a parábola do taxista se tornará cada vez mais frequente nas ruas do Brasil – em novas e ferozes versões. Afinal, não há nada mais ameaçador para o mercado do que quem está fora do mercado por convicção. E quem está fora do mercado da fé? Os ateus. É possível convencer um católico, um espírita ou um umbandista a mudar de religião. Mas é bem mais difícil – quando não impossível – converter um ateu. Para quem não acredita na existência de Deus, qualquer produto religioso, seja ele material, como um travesseiro que cura doenças, ou subjetivo, como o conforto da vida eterna, não tem qualquer apelo. Seria como vender gelo para um esquimó.
Tenho muitos amigos ateus. E eles me contam que têm evitado se apresentar dessa maneira porque a reação é cada vez mais hostil. Por enquanto, a reação é como a do taxista: “Deus me livre!”. Mas percebem que o cerco se aperta e, a qualquer momento, temem que alguém possa empunhar um punhado de dentes de alho diante deles ou iniciar um exorcismo ali mesmo, no sinal fechado ou na padaria da esquina. Acuados, têm preferido declarar-se “agnósticos”. Com sorte, parte dos crentes pode ficar em dúvida e pensar que é alguma igreja nova.
Já conhecia a “Bola de Neve” (ou “Bola de Neve Church, para os íntimos”, como diz o seu site), mas nunca tinha ouvido falar da “Novidade de Vida”. Busquei o site da igreja na internet. Na página de abertura, me deparei com uma preleção intitulada: “O perigo da tolerância”. O texto fala sobre as famílias, afirma que Deus não é tolerante e incita os fiéis a não tolerar o que não venha de Deus. Tolerar “coisas erradas” é o mesmo que “criar demônios de estimação”. Entre as muitas frases exemplares, uma se destaca:
“Hoje em dia, o mal da sociedade tem sido a Tolerância (em negrito e em maiúscula)”.
Deus me livre!, um ateu talvez tenha vontade de dizer. Mas nem esse conforto lhe resta. Ainda que o crescimento evangélico no Brasil venha sendo investigado tanto pela academia como pelo jornalismo, é pouco para a profundidade das mudanças que tem trazido à vida cotidiana do país. As transformações no modo de ser brasileiro talvez sejam maiores do que possa parecer à primeira vista. Talvez estejam alterando o “homem cordial” – não no sentido estrito conferido por Sérgio Buarque de Holanda, mas no sentido atribuído pelo senso comum.
Me arriscaria a dizer que a liberdade de credo – e, portanto, também de não credo – determinada pela Constituição está sendo solapada na prática do dia a dia. Não deixa de ser curioso que, no século XXI, ser ateu volte a ter um conteúdo revolucionário. Mas, depois que Sarah Sheeva, uma das filhas de Pepeu Gomes e Baby do Brasil, passou a pastorear mulheres virgens – ou com vontade de voltar a ser – em busca de príncipes encantados, na “Igreja Celular Internacional”, nada mais me surpreende.
Se Deus existe, que nos livre de sermos obrigados a acreditar nele.
(Eliane Brum)

ET.(Faço aqui um adendo no sentido de que, em se tratando de intolerância, o Brasil está correndo um sério risco de, caso o Sr. Bolnonaro seja eleito, há uma probabilidade de sermos penalizados por heresias e não professar a mesma fé que ele e seus discípulos professam.)

Jodenon

domingo, 8 de julho de 2018

A Embolização Prostática como Tratamento para Hiperplasia Prostática Benigna (HPB)

A próstata é uma glândula sexual masculina responsável pela produção de componentes do fluído de sêmen, e está localizada entre a bexiga e o pavimento pélvico. Em mais da metade dos homens acima de 50 anos ocorrem o aumento da próstata. Esta condição é chamada de hiperplasia prostática benigna (HPB) ou hipertrofia benigna da próstata, sendo que este aumento é considerado um crescimento natural, não tendo relação com o câncer de próstata, e em alguns homens pode ocorrer os seguintes sintomas:
• Dificuldades para urinar;
• Diminuição da força do jato urinário;
• Gotejamento no final da micção;
• Micção em dois tempos;
• Desejo de urinar durante a noite;
• Necessidade de urinar várias vezes durante o dia.
Esses sintomas se iniciam, geralmente, a partir dos 50 anos de idade e se tornam mais intensos depois dos 60 anos. A Embolização Prostática surge como forma de tratamento minimamente invasivo, ou seja, embora também seja considerada uma cirurgia, é realizada sob anestesia local, sem necessidade de cortes (cirurgia aberta) ou de internação prolongada do paciente.
Ela deve ser realizada pelo médico radiologista intervencionista, acompanhado pelo urologista responsável pela condução do caso e indicação formal do procedimento, que caracteriza-se como uma alternativa à ressecção transuretral da próstata que demanda internação, anestesia geral e, tem como um tipo de complicação, o surgimento de ejaculação retrógrada.
O procedimento consiste em uma pequena incisão na região da virilha, para que seja introduzido um cateter na artéria, a ser guiado por um aparelho de raios X ultra moderno, até a próstata, onde são injetadas microesferas, parecidas com grãos de areia, que reduzem a circulação sanguínea no local. Com isso, a próstata diminui de tamanho e fica mais macia, aliviando a obstrução da uretra, e consequentemente os sintomas causados pela HPB.
Hoje a indicação da embolização da próstata está relacionada aos pacientes que não tem boa resposta ao uso de medicamentos orais, ou que não tem condições clínicas ou não querem ser submetidos à cirurgia tradicional, a RTU. O melhor tratamento depende das condições de saúde de cada paciente e a escolha do melhor tratamento deve ser indicada pelo médico urologista.
Matéria da Revista Saúde - nº 10 - Junho2018

DR. LUIZ OTAVIO BARREIRA ALVARES CORREA

Radiologia Intervencionista

CRM/GO: 12048 | RQE: 8290 | GOIÂNIA

terça-feira, 26 de junho de 2018

O casamento é a morte do Amor







"O casamento é a morte do Amor!"
Quando me deparei com esta frase, comecei a pensar, e na minha visão, até certo ponto, acho que é uma realidade.
Por causa de uma cultura primitiva das grandes religiões, que sempre impôs uma sociedade extremamente manipulável, gerou-se seres humanos doentes, agustiados, depressivos e perturbados que não se encontram o seu eu no mundo de hoje.
Tem uma frase atribuída a Sigmund Freud assim: "Tudo que você reprime, você mata, você destrói."
Ao longo de minha vida, sempre pautei pela honestidade de: caráter, comigo, com os outros e em todos os sentidos.
Quando decidi ter uma companheira ao meu lado, prometi que jamais a faria sofrer, prometi dar a ela tudo aquilo que seus pais lhe deram e muito mais, além do carinho e amor de homem. É, eu entendo que existem várias formas de amor. O meu amor é regado de companheirismo, carinho, dedicação, respeito, afeto, necessidade de sua presença, fazer com que ela tenha sempre momentos felizes, sem cobranças de contrapartidas e deixar que ela seja sempre ela.
E o que até hoje procuro fazer para que a frase do começo do texto não seja uma comprovação em nosso casamento?
Muitas coisas e continuo procurando fazer, independente se minha parceira, pense da mesma forma que eu.
Pensando na frase de Freud, tentei nunca reprimir nada que viesse nos tirar da rotina que a relação conjugal incorpora após os 3 anos vividos em comum. Vou citar uma surpresa que fiz para minha parceira. Lembrando que não sou religioso e não me deixo ser manipulado pelos dogmas e nem pelo que eles pensam e agem por medo de perder seu espaço no suposto paraiso pós morte.
Vamos lá:
Eu fazia assessoria de marketing para a Horizonte (uma empresa que possui 3 motéis em Goiânia). Um dia combinei com o proprietário que me cedeu uma suíte para, no aniversário de minha esposa, fazer uma surpresa pra ela. Essa surpresa consistia em convidar nossos melhores amigos (não era para fazer suruba) e fazer um queijos e vinhos em uma de suas unidades. Pois, bem, no dia combinado, foram todos pra lá, inclusive minha sogra e cunhado. Um detalhe ninguém da minha família teve coragem de ir. Rsrsrs...
Ao chegar na portaria, solicitei a chave da suite que estava reservada, o funcionário da portaria já sabia. Deixei que ela entrasse na frente e quando ela abriu a porta e acendeu a luz, teve uma grande surpresa com mais de 20 pessoas na suite. Foi muito bom e por volta das 22 horas ela despachou todo mundo e fomos curtir seu aniversário com tudo que ela tinha direito.
Teve muitos outros momentos ao longo de nossos 38 anos juntos. Por último, decidi me tornar terapeuta tântrico para poder surpreende-la com a massagem tântrica e tentar trabalhar terapeuticamente com ela em função de sua esclerose múltipla. Em 2001 eu já havia feito um curso de massagem tailandesa, ante-estresse e erótica. Para colocar este novo plano  em prática, fiz a formação e aprendi mais 3 massagens tântricas. Após a formação, despachei minha filha, comprei um frasco de óleo de semente de uva, um bullet ideal para uma das massagens, velas aromáticas e mais alguns ingredietes para compor o cenário necessário. Também baixei várias músicas coerentes com a necessidade de concentração e envolvimento com as massagens. Bom, o resultado alcançado foi, meia hora de orgasmos intensos que ela nunca tinha sentido.
Com base em tudo isso, chegamos a conclusão que não devemos banir o prazer de nossas vidas, por nada. Pra nós, ficou provado que a energia da sexualidade e, a energia do orgasmo conjuntamente é a maior forma de expressão e experiência que um ser humano pode ter.
Tem também uma frase atribuída a grandes mestres do pensamento que diz: "Conheças a te mesmo que irás conhecer a Deus". 
- Como é que você vai conhecer a si próprio, se negar a sua sexualidade?
- Vai negar que existe isso em você?
- Será que não é um erro enorme banir tudo isso de sua vida?
Seja mais humilde e faça essa pergunta: 
- O que devo fazer para ser ideal para quem eu amo?
Pra começar, que tal você acessar o meu curso https://prazerdocasamento.com.br/ e também fazer uma surpresa para sua esposa/Namorada ou ficante? Acho que ela merece e você não se arrependerá.

Jodenon

terça-feira, 15 de maio de 2018

Ser humilde não é ser bobo...

Nunca fui uma pessoa muito ligada, muito perceptiva quanto à má-fé alheia. Sempre foi fácil se aproximar de mim e me explorar, me desejar o mal, tentar me prejudicar. Além de ser um pouco inocente, e ser assim é também fruto de uma escolha minha. Por mais estranho que pareça, eu prefiro correr o risco de ser magoado e traído do que viver com os pés atrás, desconfiando de tudo e de todos.Com o tempo a gente endurece. A ternura continua lá, meio soterrada pelas decepções, mas o coração enrijece mesmo, se a gente não prestar atenção. No caminho, vamos encontrando pessoas invejosas, que torcem para que tudo dê errado para nós, mesmo que nada disso vá melhorar suas próprias vidas. Particularmente, eu acredito que haja mais pessoas boas em geral do que más, porém, mesmo as boas têm seus momentos cruéis, enchem a boca para dizer "bem-feito! Coisa boa!”(Quem é goiano vai entender o que quero dizer), desejam que a outra, amiga ou não, se ferre. A natureza humana tem dessas coisas, todo mundo sabe. A diferença é que alguns lutam contra esses sentimentos vis, se policiam para não falar mal dos outros, tentam enxergar qualidades nos fulanos mais babacas que existem. Sempre tentei ser assim. Desde o não falar palavrão até o não falar mal dos outros, não julgar e nem xingar ninguém como: burro, feio, insuportável, desgraçado e etc. Mas, cada vez mais eu sinto que estou enfraquecendo. Estou mais suscetível à maldade alheia, quase acredito em mau-olhado e vibrações negativas, pai de santo e outras entidades, inclusive já fui até em terreiro de Umbanda, ainda não fui na Universal, porque não suporto aquela igreja, pois enganar ao próximo não foi o ensinamento de Deus. Diga-se de passagem que não tem nada de anormal, a não ser a ganância por dinheiro sob uma falsa promessa de redenção. Começo a perceber quando o rapaz na sala do meu trabalho me olha com uma ponta de despeito, quando o cara responde todas as perguntas para se sentir melhor do que os outros, quando a senhora esconde de quem chegou atrasado as informações que foram dadas pelo chefe. Às vezes até chego a sacar, ou pensar que saco, que alguma pessoa "tem algo de estranho" quando olho nos seus olhos pela primeira vez (como tenho a pachorra de julgar alguém em nome de um "sexto sentido"?). Acho que estou perdendo de vez aquela inocência que fazia de mim uma pessoa não necessariamente boba, mas boa. Muitos me dizem que isso é ótimo, que assim eu me protejo, afasto o lado negro da força e sigo minha vida sem ser prejudicado pelos outros. Mas eu preferiria voltar a ser como antes e crer na bondade de todas as pessoas, acreditar que algo nelas ainda pode ser mudado, que deva haver motivos para alguém agir de modo condenável e que minha missão é entender e tentar ajudar. Só conheci quatro seres puros assim: minha mãe Eurides, minha irmã Jodeíra, meu pai e minha mulher - estes dois últimos citados, um já se foi para um outro plano e minha mulher, um pouco endurecida pelas dificuldades da vida e também pela descoberta de sua doença e lutar contra os meus conceitos e não concordar comigo pelo menos em teoria.
Queria voltar ao ponto de partida. Eu seria passado para trás e veria pessoas triunfando às minhas custas, mas não viveria enxergando as possibilidades de perigo, de inveja e de maldade em cada novo par de olhos que encaro.

Jodenon

sábado, 14 de abril de 2018

Eu amo um Anjo


Eu sento e espero, será que um Anjo contempla o meu destino e sabe para onde vamos, quando ficamos cansados e com os nossos cabelos grisalhos?
Uma vez me disseram que a salvação é que abrem suas asas. Em meus momentos solitários, onde quase sempre encontro comigo, então, imagino quando estou deitado na cama, pensando em um monte de coisas e achar que o amor morreu, se estarei amando um Anjo!
Pode ser, pois dizem que Anjos não tem gênero. Mas se em qualquer situação, ele me oferecer proteção, muito amor e afeição, esteja eu, certo ou errado, meu coração estará aberto e jamais fechado...
Também pode ser que seja debaixo de uma linda e esplendorosa cachoeira, aonde quer que ele me leve, eu sei que a vida não vai me derrubar quando eu precisar, ele não irá me esquecer.
Quando eu me sentir fraco, e a minha dor caminhar em uma rua de mão única, olharei para o Céu e sempre saberei que sou abençoado pelo amor de um Anjo. E enquanto o sentimento cresce com o passar do tempo, meu ânimo também cresce na mesma proporção, pois quando chegar a hora de minha partida, estarei feliz, pois minha vida foi cercada por um Anjo que tem prenome, nome e sobrenome e os seres comuns o conhecem por Nélis Neide de Araújo Borges.

Obrigado meu Anjo salvador, pelos 38 anos de parceria, companheirismo, dedicação, tolerância, amor, felicidade e tudo mais que alguém pode oferecer e também receber!
Tem um soneto de Luis de Camões que retrata bem a linguagem do amor assim:
Amor é fogo que arde sem se ver

Amor é fogo que arde sem se ver
É ferida que dói, e não se sente
É um contentamento descontente
É dor que desatina sem doer

É um não querer, mais que bem querer
É andar solitário por entre a gente
É nunca contentar-se de contente
É cuidar que se ganha em se perder

É querer estar preso por vontade
É servir a quem vence, o vencedor
É ter com quem nos mata, lealdade

Mas como causar pode seu favor
Nos corações humanos amizade
Se tão contrário a si é o mesmo amor?