sábado, 2 de abril de 2016

The Sound of Silence


Sábado e mais um final de semana em silêncio.
Estava sem fazer nada e apenas assistindo Grand Prix Samsun de Judô 2016. Enquanto se desenrolavam as lutas, fui passar um pano na casa para tirar a poeira da semana e comecei a pensar sobre, qual seria a música ideal de cada pessoa no final de semana.
A minha música ideal, cheguei rápido em uma definição. É, The Sound Of Silence de  Simon & Garfunkel. 
Cheguei a essa conclusão que impera em meus finais de semana, que são movidos pelos sons dos silêncios, pois não converso com ninguém e nem o meu criado mudo que fica estático ao lado de minha cama. Criado tolo eu digo, você não sabe que o silêncio é um câncer que cresce, por isso, me escute que posso ensinar alguém, pegue em meu braço, ah, você não tem braços, mas então, abra sua gaveta para que possa depositar um pouco dos meus pensamentos solitários e os estenderei para compartilhar com você. Sei que minhas palavras poderão cair como gotas silenciosas de chuva, no entanto ecoarão nos nossos gritos de silêncios.
Disseram que, conforme envelhecesse, eu ficaria mais sábio. Pensando sobre a lógica, devo já ser um gênio. Rsrsrsrs...
Depois também pensei: eu não envelheci de propósito. Apenas aconteceu. Se você que está lendo, tiver sorte, pode acontecer o mesmo com você!
 Jodenon




sábado, 27 de fevereiro de 2016

O preço por viver longe de casa

Como tem um bom tempo que estou sem escrever no meu Blog e recebi no e-mail um texto que reflete a minha vida hoje, então, resolvi postar para que meus amigos e leitores, saibam o preço que pago por viver longe de casa.

"Voar: a eterna inveja e frustração que o homem carrega no peito a cada vez que vê um pássaro no céu. Aprendemos a fazer um milhão de coisas, mas voar a vida não deixou.
Talvez por saber que nós, humanos, aprendemos a pertencer demais aos lugares e às pessoas. E que, neste caso, poder voar nos causaria crises difíceis de suportar, entre a tentação de ir e a necessidade de ficar.
Muito bem. Aí o homem foi lá e criou a roda. A Kombi, o patinete, a Harley, o Boeing 737. Daí a gente descobriu que, mesmo sem asas, poderia voar. Mas a grande complicação foi quando percebemos que poderíamos ir sem data para voltar. Assim, começaram a surgir os corajosos que deixaram suas cidades de fome e miséria para tentar alimentar a família nas capitais, cheias de oportunidades e monstros. Os corajosos que deixaram o aconchego do lar para estudar e sonhar com o futuro incrível e hipotético que os espera. Os corajosos que deixaram cidades amadas para viver oportunidades que não aparecem duas vezes. os corajosos que deixaram, enfim, a vida que tinham nas mãos, para voar para vidas que decidiram encarar de peito aberto.
A vida de quem inventa de voar é paradoxal, todo dia. É o peito eternamento dividido, é chorar porque queria estar lá, sem deixar de querer estar aqui. É ver o céu e o inferno na partida, o pesadelo e o sonho na permanência. É se orgulhar da escolha que ofereceu mil tesouros e se odiar pela mesmo escolha que subtraiu outras mil pedras preciosas.
E começamos a viver um roteiro clássico: deitar na cama, pensar no antigo-eterno lar, nos quilômetros de distância, pensar nas pessoas amadas, no que eles estão fazendo sem você, nos risos que você não riu, nos perrengues que você não estava lá para ajudar. É tentar, sem sucesso, conter um chorinho de canto e suspirar sabendo que é o único responsável pela própria escolha. No dia seguinte, ao acordar, já está tudo bem, a vida escolhida volta a fazer sentido. Mas você sabe que outras noites dessas virão.
Mas será que a gente aprende?
A ficar doente sem colo, sentir o cheio da comida com os olhos, a transformar apartamentos vazios na nossa casa, transformar colegas em amigos, dores em resistências, saudades cortantes em faltas corriqueiras?
Será que a gente aprende?

Ser filho de longe, amar via Skype, ver crianças crescer por vídeos, perder pessoas importantes na nossa vida e não estar presente para dizer um último adeus, fingir que a mesa do bar pode ser substituída pelo grupo do WhatsApp, ser amigo de caracteres e não de abraços, rir alto com HAHAHAHAHA..., engolir o choro e tocar em frente?
Será que a vida será sempre essa sina, em qualquer dos lados em que a gente esteja?
Será que estaremos aqui nos perguntando se deveríamos estar lá e vice versa?
Será teste, será opção, será coragem ou será carma?
Será que um dia saberemos afinal, se estamos no lugar certo? 
Será que há, enfim, algum lugar certo para viver essa vida que é um turbilhão de incertezas que a gente insiste em fingir que acredita controlar?
Eu sei que não é fácil e admiro quem encarou e encara tudo isso, todo dia. Quem deixou Vitória da Conquista, São José do Rio Preto, Floripa, Juiz de Fora, Recife, Sorocaba, Cuiabá ou Paris para construir uma vida em São Paulo. Quem deixou São Paulo para ir para o Rio, para Brasília, Dublin, Nova York, Aix-en-provence, Brisbane, Lisboa. Quem deixou a Bolívia, a Colômbia ou o Haiti para tentar viver no Brasil. Quem trocou Portugal pela Itália, a Itália pela França, a França pelos Emirados. Quem deixou o Senegal ou o Marrocos para tentar ser feliz na França. Quem deixou Angola, Moçambique ou Cabo Verde para viver em Portugal. Para quem tenta, para quem peita, para quem vai, o preço é alto. A gente se questiona, se culpa, se angustia. Mas o destino, a vida e o peito às vezes pedem que a gente embarque. Alguns não vão. Mas nós, que fomos, viemos e iremos, não estamos livres do medo e de tantas fraquezas. Mas, estamos para sempre livres do medo de nunca termos tentado."
Keep Walking

domingo, 29 de novembro de 2015

Casados para sempre

Hoje, estava almoçando e entrou sozinho no restaurante um senhor com uma camiseta preta, com a seguinte frase: “Casados para Sempre”.
O que realmente significa, Casados para sempre?
Pelo menos o compromisso que fiz com a minha esposa em juramente na Igreja, tendo como testemunhas o Pastor Wanderley, os padrinhos dela e meus, os nossos pais, irmãos e convidados, foi: “Até que a morte nos separe.” Depois, cada um segue o seu caminho!
Pelo menos para um dos dois, que caminho em! Um segue a vida e o outro fica guardado!
Esse que seguir vivendo, pode encontrar outro alguém que poderá usar também a expressão, casados para sempre.
Será que o significado de casados para sempre é acreditar na eternidade?
Existe aí um pensamento utópico, de crença, de paraíso e inferno e muitas outras formas de credos.
Um bom tema para discussão!
Na semana passado um colega que cursa jornalismo na Faculdade Sul Americana em Goiânia, me passou um questionário com 6 perguntas sobre o Poliamor, para ajudá-lo em um trabalho.
Respondi seu questionário, mas, por motivos de viagens não consegui enviar para ele em tempo de fazer sua apresentação.
Aí vem uma pergunta: você pensa que o amor sempre fez parte do casamento?
Entendo que, isso é uma inovação recente. Na realidade, o casamento sempre foi considerado uma coisa muito séria para que nele entrasse qualquer tipo de emoção. Mas quando as pessoas passaram a buscar nesse tipo de vínculo realização afetiva e prazer sexual, a vida a dois passou a ser fonte de grande frustração.
O casamento obriga homens e mulheres a viver dentro de regras e normas estabelecidas pelas igrejas e pela sociedade, visando ao controle da liberdade de cada um. É na área afetiva e sexual que as limitações são mais claras. Você só deve amar uma única pessoa durante anos e somente com ela pode fazer sexo.
É comum várias pessoas terem características que nos agradam e nos atraem sexualmente. Então, fica difícil cumprir essas exigências. O resultado é muita gente infeliz, sem prazer de viver, talvez até que a morte os separe.
Os casamentos só funcionaram bem quando os parceiros eram escolhidos pelas famílias, por interesses econômicos e políticos. Homens e mulheres casavam sabendo antecipadamente tudo o que os aguardava. Bastava o homem ser provedor e respeitar a família; a mulher ser boa mãe e cumpridora de seus deveres de esposa estava tudo certo. Era um bom casamento, ninguém se decepcionava, e por isso não havia motivos para queixas, nem para separação. Vejam a estatística que em 1974 existiram 30 mil divórcios (nessa época era desquite) e agora recente, em 2014 foram 341 mil divórcios.
Em um casamento, o companheirismo, a solidariedade e o carinho vão aumentando na mesma medida em que o desejo sexual vai diminuindo. A explicação mais ouvida para isso é que a rotina do dia-a-dia transforma o sexo num hábito, e como tudo o que é habitual vai perdendo a sensação de prazer, ele vai sendo feito automaticamente. Há quem diga também, de forma conformada, que a emoção no sexo só existe mesmo no início de uma relação, e o que resta, depois de algum tempo de vida em comum, é uma grande amizade. A única coisa que não entendo, então, é por que temos que dar satisfação, ter compromisso de horário, dormir na mesma cama todas as noites, com uma pessoa amiga. Não seria muito melhor sermos livres e encontrarmos os amigos apenas quando sentíssemos vontade? Quem sabe, assim, a emoção do sexo poderia ressurgir, e a vida, sem tantas obrigações desnecessárias, poderia ser bem mais interessante.
Na realidade, existe uma razão ainda maior para que no casamento o sexo se transforme em algo monótono e sem graça. É a ideologia da monogamia, que sempre foi adotada para a mulher e que de 30 anos para cá passou a atingir também os homens. Atualmente, homens e mulheres cobram fidelidade sexual de seus parceiros. Sem dúvida, essa obrigação de um só poder se relacionar com o outro mina progressivamente a relação. Por um lado as pessoas se sentem apaziguadas e seguras, acreditando que o parceiro nunca terá olhos para ninguém. Por outro, a mesma certeza de posse e de exclusividade que faz as pessoas se sentirem garantidas no casamento, leva à acomodação, inibindo o desenvolvimento de uma vida sexual criativa com o parceiro. Não existindo mais o estímulo da sedução e da conquista, o sexo vai se deteriorando.
Daí fica difícil, esperar ser casados para sempre.
Em tempo: Este texto não reflete em sua totalidade os pensamentos de minha esposa e sim os meus, senão, a discussão começará em casa! Rsrsrsrs...

Jodenon e seus assuntos controversos.


terça-feira, 3 de novembro de 2015

31 anos sem a sua presença


Paizinho, queria aproveitar o momento para satisfazer o pensamento, e te falar francamente, mesmo com você ausente, o quanto é importante ter você presente.
Quero lhe agradecer, por ter sido meu PAI, e neste instante te dedicar estas poucas palavras, retratadas através deste texto.
O grande PAI, que DEUS me deu, para eu vivenciar e com ele aprender a amar.
Paizinho, queria lhe dar um beijo, mas não encontro jeito.
Um abraço, cadê seus braços?
Queria lhe falar, mas de nada adiantaria, onde está jamais escutaria.
Sei que não é tua culpa, não é culpa de ninguém, já faz tanto tempo que com DEUS foi morar, sei que onde está, sempre estará me guiando nos passos que vou dar.
Paizinho, lembra das minhas viagens noturnas pelo Estado do Paraná?
Eu nunca estava sozinho, porque você sempre esteve no banco do carona conversando comigo para eu não dormir ao volante.
Não esqueço de você nenhum só momento, quando a saudade aperta e machuca elevo meus pensamentos ao vento para que ele leve um forte abraço através do espaço,
Pois não sei onde te acho. Nesta hora me acalmo, apesar da distância separar dois corpos jamais separará dois corações.
Às vezes me pego pensando em você e viajo num sonho de amor e carinho. Nesta hora eu sinto a brisa do vento, trazendo o retorno do abraço que no espaço achou aonde não te acho.
Paizinho, quando a brisa do vento toca delicadamente em minha face, sinto sua presença, seu cheiro e apesar de não me tocar, você veio através do vento me abraçar.
Neste momento deixo a imaginação tomar conta do sentimento e aproveito para que o vento me aproxime de você, lentamente, passo a passo, até lhe encontrar para que possamos nos abraçar e a saudade matar.
Que falta você faz, queria voltar o tempo atrás, naquela época em que eu era um orgulho pra você. Você enchia o peito e dizia: “Meu filho é diretor de um Banco” quando na realidade não passava de um simples gerente regional.
Hoje se você fosse vivo, perguntaria aonde foi meu diretor?
Com certeza ainda não morreu. Em vida, nunca tive a ousadia de dizer algo importante, mas hoje eu sei dizer: “PAIZINHO, EU TE AMO”
Jodenon

domingo, 4 de outubro de 2015

Vá com Deus meu cunhado irmão

Tem certos momentos na vida que pago um preço muito alto pelas minhas decisões.
Uma delas foi ir à busca de meus objetivos e quase sempre eles ficaram longes de minha família, de meus pais, meus irmãos, meus avós, tios, sobrinhos e primos.
Eu nunca trocaria meus amigos surpreendentes e entre eles, Jair Barbosa de Oliveira. Ele não era somente meu cunhado, era um amigo. Também, não trocaria minha vida maravilhosa, minha amada família por menos cabelos brancos ou uma barriga mais lisa. Enquanto fui envelhecendo, tornei-me mais amável para mim, e menos crítico de mim mesmo. Eu me tornei meu próprio amigo... Eu não me censuro por comer pão francês todo dia, ou por não fazer a minha cama quando saio para o trabalho, ou para a compra de algo bobo que eu não precisava, como uma miniatura de carros dos meus sonhos. Eu tenho direito de ser desarrumado ou, de ser extravagante.
Vi muitos amigos queridos deixarem este mundo cedo demais, antes de compreenderem a grande liberdade que vem com o envelhecimento. Perdi meu avô José Mariano Pires e meu Tio Osmir e não tive condições de estar presente pois, estava morando em BH, depois perdi meu tio Bené, meu Primo Lêdo Renato, meu tio e padrinho Luiz Pires, minha tia Helena, meu primo Jesus e agora meu cunhado Jair Barbosa de Oliveira. Todos eles, eu estava longe e não tive oportunidade de prestar a última homenagem de corpo presente.
Sexta-feira estava voltando de visitas em algumas fazendas no município de Curionópolis – PA, distante 147km de Marabá. Em um dado momento, conversávamos sobre o cotidiano do ser humano e meu colega de viagem, me perguntou:
- Jodenon, na sua visão, qual o sentido de nossas vidas aqui neste mundo?
Respondi:
- Na minha visão, dividimos por tempos ou partes.
A primeira, quando enchemos o pulmão pela primeira vez, o nosso sentido da vida é chorar, depois, respirar, dar a primeira mamada (essa é a melhor até hoje só alterando os peitos), depois manipular nossos pais para satisfazer nossos desejos, necessidades e nossas birras.
Num segundo estágio, fazer com que nossos pais e irmãos se tornem os escravos dos nossos desejos, para isso desenvolvemos artimanhas para conseguir.
O tempo vai passando e os objetivos sociais que muitas das vezes não são nossos, mas de extrema necessidade para nos inserir e viver em sociedade, como formação social, humana e profissional.
Desse modo, abre-se um leque de possibilidades do seu sentido de vida.
Ser um grande profissional reconhecido pela sociedade e orgulho da família. Outros acham indiretamente que o sentido de sua vida é se tornar um elemento contrário aos interesses sociais tornando-se um fora da lei (bandidos, qualquer pessoa mau caráter, sem escrúpulos e etc.).
Expus meu ponto de vista por mais ou menos meia hora e finalmente, disse que o meu sentido da vida, mudou depois que estive com um pé do outro lado da vida.
A minha família sempre foi o meu sentido da vida, mas depois do descrito no parágrafo anterior, ele quadriplicou. Vivo um dia de cada vez sem me preocupar com o que poderá vir, se o amanhã eu tiver.
Eu sei que às vezes esqueço algumas coisas. Mas há mais algumas coisas na vida que devem ser esquecidas. Eu me recordo das coisas importantes e boas que vivi e que me serviram de exemplos.
Claro, ao longo dos anos meu coração foi quebrado. Como não pode quebrar seu coração quando você perde um ente querido, ou quando uma criança sofre, ou mesmo quando algum amado animal de estimação é atropelado por um carro? Mas corações partidos são os que nos dão força, compreensão e compaixão. Um coração que nunca sofreu é imaculado e estéril e nunca conhecerá a alegria de ser imperfeito.
Eu sou tão abençoado por ter vivido o suficiente para ter meus cabelos grisalhos e ter os risos da juventude gravados para sempre nos poucos sulcos que estão aparecendo em meu rosto.
Sofro às vezes alguns preconceitos eu sei, mas agradeço a Deus todos os dias pela oportunidade de estar vivendo e com a consciência de que muitos morreram antes de seus cabelos virarem prata.
Conforme você envelhece, é mais fácil ser positivo. Você se preocupa menos com o que os outros pensam. Eu não me questiono mais.
Eu ganhei o direito de estar errado. Assim, para responder sua pergunta, eu gosto de ser idoso.
A idade me libertou. Eu gosto da pessoa que me tornei. Eu não vou viver para sempre, mas enquanto eu ainda estou aqui, eu não vou perder tempo lamentando o que poderia ter sido, ou me preocupar com o que será. E eu vou comer sobremesa todos os dias (se me apetecer).
Aquele que tem a oportunidade de ser meu amigo, eu digo que, nossa amizade nunca se separa porque, é direto do coração!
Não é porque o Jair faleceu que estou expressando o que ele foi pra mim. Foi um grande homem, passou por grandes provações e sempre se reergueu com muita dignidade, como um exemplo a ser seguido, um pai exemplar e carinhoso, um ser que soube perdoar, um pouco tímido e infelizmente torcedor do Goiás. Tive e continuarei sempre a sentir orgulho dele e agradeço sempre a Deus por ele ter sido meu cunhado, embora as nossas oportunidades de convivência ter sido poucas.
Vá estar ao lado de nosso pai, embora triste e sofrendo, entendo as fases da vida e que quando chega a nossa hora, não há semideus que consiga reverter a nossa partida.
Você foi um homem que sabia o significado de que, ser feliz não é ter uma vida perfeita. Que ser feliz foi reconhecer que valia a pena viver, apesar dos desafios, das perdas e frustrações. Você deixou de ser vítima dos problemas e se tornou autor da sua própria história. Você deixou um grande legado para suas filhas, que seguirão sempre o caminho da simplicidade e do amor.
Você continuará sempre em meu coração.
Jodenon