terça-feira, 20 de maio de 2008

Ser humilde não é ser bobo...


Nunca fui uma pessoa muito ligado, muito perceptivo quanto à má-fé alheia. Sempre foi fácil se aproximar de mim e me explorar, me desejar o mal, tentar me prejudicar. Além de ser um pouco inocente, e ser assim é também fruto de uma escolha minha. Por mais estranho que pareça, eu prefiro correr o risco de ser magoado e traído do que viver com os pés atrás, desconfiando de tudo e de todos.Com o tempo a gente endurece. A ternura continua lá, meio soterrada pelas decepções, mas o coração enrijece mesmo, se a gente não prestar atenção. No caminho, vamos encontrando pessoas invejosas, que torcem para que tudo dê errado para nós, mesmo que nada disso vá melhorar suas próprias vidas. Particularmente, eu acredito que haja mais pessoas boas em geral do que más, porém, mesmo as boas têm seus momentos cruéis, enchem a boca para dizer "bem-feito! Coisa boa!”(Quem é goiano vai entender o que quero dizer), desejam que a outra, amiga ou não, se ferre. A natureza humana tem dessas coisas, todo mundo sabe. A diferença é que alguns lutam contra esses sentimentos vis, se policiam para não falar mal dos outros, tentam enxergar qualidades nos fulanos mais babacas que existem. Sempre tentei ser assim. Desde o não falar palavrão até o não falar mal dos outros, não julgar e nem xingar ninguém como: burro, feio, insuportável, desgraçado e etc. Mas, cada vez mais eu sinto que estou enfraquecendo. Estou mais suscetível à maldade alheia, quase acredito em mau-olhado e vibrações negativas, pai de santo e outras entidades, inclusive já fui até em terreiro de Umbanda, ainda não fui na Universal, porque não suporto aquela igreja, pois enganar ao próximo não foi o ensinamento de Deus. Diga-se de passagem que não tem nada de anormal, a não ser a ganância por dinheiro sob uma falsa promessa de redenção. Começo a perceber quando o rapaz na sala do meu trabalho me olha com uma ponta de despeito, quando o cara responde todas as perguntas para se sentir melhor do que os outros, quando a senhora esconde de quem chegou atrasado as informações que foram dadas pelo chefe. Às vezes até chego a sacar, ou pensar que saco, que alguma pessoa "tem algo de estranho" quando olho nos seus olhos pela primeira vez (como tenho a pachorra de julgar alguém em nome de um "sexto sentido"?). Acho que estou perdendo de vez aquela inocência que fazia de mim uma pessoa não necessariamente boba, mas boa. Muitos me dizem que isso é ótimo, que assim eu me protejo, afasto o lado negro da força e sigo minha vida sem ser prejudicado pelos outros. Mas eu preferiria voltar a ser como antes e crer na bondade de todas as pessoas, acreditar que algo nelas ainda pode ser mudado, que deva haver motivos para alguém agir de modo condenável e que minha missão é entender e tentar ajudar. Só conheci quatro seres puros assim: minha mãe Eurides, minha irmã Jodeíra, meu pai e minha mulher - estes dois últimos citados, um já se foi para um outro plano e minha mulher, um pouco endurecida pelas dificuldades da vida e também pela descoberta de sua doença e lutar contra os meus conceitos e não concordar comigo pelo menos em teoria.
Queria voltar ao ponto de partida. Eu seria passado para trás e veria pessoas triunfando às minhas custas, mas não viveria enxergando as possibilidades de perigo, de inveja e de maldade em cada novo par de olhos que encaro.

2 comentários:

Elida disse...

É com muito prazer que venho aqui conhecer um pouquinho de você e da sua história de vida!
Muito lindo seu "cantinho"!!
Estou adicionando você aos meus favoritos e prometo que virei mais vezes, ok?
Um grande beijo e parabéns pelo encontro de sua alma, afinal é um privilégio de poucos!

Nélis Neide disse...

Amor,
Você tá sendo muito duro consigo mesmo, continua sendo aquela pessoa pura que sempre foi, que acredita na bondade das pessoas, e acima de tudo, és humano e caridoso e esse dom ninguém nunca vai tirar de você.
Te admiro muito, és o meu ídolo!
Beijos carinhosos de sua eterna companheira das horas boas e difíceis também...